Friday, September 22, 2006

O ESTADO DE S. PAULO

Quarta-feira, 20 de setembro de 2006.

Espaço Aberto, pág. A-2.

O Poder dos Reemergentes

MARCOS S. JANK

Os países emergentes já somam mais da metade do PIB mundial em paridade do poder de compra, ultrapassando os países desenvolvidos. Além disso, eles contam com 83% da população, consomem 54% da energia, detêm 70% das reservas financeiras e 43% das exportações (ante apenas 20% em 1970).

A edição desta semana da revista The Economist traz um ótimo relatório sobre o novo poder dos emergentes, que prova que o mundo deixou de ser uni ou bipolar e vai ficando cada vez mais multipolar. O relatório começa por corrigir uma imprecisão histórica: o termo 'emergentes' seria incorreto e, a rigor, deveria ser substituído por economias 'reemergentes', já que o grupo de países em questão ficou fora dos holofotes durante apenas um curto período de 180 anos, entre a revolução industrial européia e o final da década passada. Durante oito séculos, entre os anos 1000 e 1820, os hoje reemergentes, principalmente na Ásia, controlaram 80% da riqueza mundial!


A reemergência dos emergentes é o maior fenômeno deste início de milênio. Nos últimos cinco anos eles cresceram 7% ao ano, ante apenas 2,3% dos países ricos, taxas que se devem manter no próximo qüinqüênio. O crescimento sustentado desses países decorre de amplas reformas internas: abertura comercial, atração de capital externo, aumento da competição, dos investimentos e da produtividade dos fatores, rápida integração nas cadeias produtivas globais, aproveitamento das tecnologias de informação, etc. Mais de 1 bilhão de novos consumidores destes países vão ingressar no mercado global de consumo na próxima década. A Goldman Sachs estima que China, Índia, México, Rússia e Brasil estarão entre as dez maiores economias do mundo em 2040 e serão, juntos, maiores que o atual G-7.


Contudo, um dos grandes equívocos da atualidade é tentar agrupar os emergentes num suposto 'bloco' que se estaria contrapondo aos países desenvolvidos. Ocorre que eles formam um grupo extremamente heterogêneo de países, muito menos unidos do que Europa e EUA foram nos últimos 150 anos. O agrupamento do mundo 'emergente' serve apenas como uma referência conceitual da completa redefinição da divisão internacional do trabalho, do comércio, dos investimentos, do poder de compra dos consumidores, do uso de recursos naturais e da inovação que está em andamento. Este grupo de países está 'redesenhando' todos os mapas mundiais - econômicos, políticos, sociais, tecnológicos, etc. A regra, porém, é cada um por si.


É obvio que a trajetória futura dos emergentes não será um mar de rosas rumo ao nirvana da prosperidade. Há graves problemas a serem solucionados por estes países, como a crescente disparidade entre as rendas urbana e rural, as imensas desigualdades regionais que se estão formando internamente, já gerando protestos e forte pressão migratória, principalmente na China e na Índia. Há também riscos de crises bancárias, de aumento do protecionismo mundial e de agravamento dos problemas de infra-estrutura e ambientais. Os EUA possuem hoje 150 milhões de carros, 50 para cada 100 habitantes. Em 2040, China e Índia terão 750 milhões de carros (26 carros para cada 100 habitantes, comparados com apenas 2 atualmente). Imagine-se o gasto potencial de combustíveis e os congestionamentos!


Na semana passada, participei de uma conferência do Centro para a Inovação na Governança Internacional no Canadá, na qual se discutiu a emergência dos BRICSAM e a necessidade de reformar as instituições multilaterais (ONU, FMI, Banco Mundial, OMC). BRICSAM é a sigla em inglês que se criou para representar o conjunto dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) mais África do Sul, países da Asean (principalmente Malásia, Tailândia, Indonésia e Filipinas) e México. A definição ampliada busca corrigir a insuficiência do conceito original dos BRICs, agregando outros emergentes que têm grandes populações e mostram altas taxas de crescimento.

No grupo ampliado, a liderança do crescimento fica nas mãos da China (8,6% ao ano na última década), seguida por Índia (6%), países da Asean (4%), Rússia (3%), México (2,7%) e, na rabeira, o Brasil, com míseros 2,4% ao ano de crescimento entre 1995 e 2004.


O professor Marcelo de Paiva Abreu, da PUC-Rio, apresentou uma ótima palestra sobre o papel do Brasil nos BRICs, tentando responder à indagação shakespeariana 'Brazil: to be or not to be a BRIC?'. Marcelo mostrou que, além do crescimento medíocre, o País se posiciona abaixo da média dos BRICs na sua capacidade de poupar e investir, na alta carga tributária, nos elevados gastos públicos e no custo da dívida interna. O Brasil iguala a média dos BRICs na estabilidade inflacionária e em alguns indicadores sociais e supera a média dos parceiros em recursos naturais, PIB per capita, solidez democrática, relações pacíficas com países vizinhos e outros. Ele conclui afirmando que, se o Brasil não conseguir crescer mais, corre o risco de ser brevemente descartado da lista dos BRICs.


Nossa única solução para continuarmos integrando o seleto grupo das melhores economias emergentes é o aprofundamento das reformas domésticas (previdenciária, fiscal, trabalhista), a melhoria das instituições (principalmente nos campos político e jurídico), o crescimento da concorrência e da produtividade (evitando a falsa solução do protecionismo e do isolamento) e o investimento consistente em bens públicos (segurança, infra-estrutura, educação e saúde). A dicotomia clássica entre países do Primeiro e do Terceiro Mundo ou países do Norte e do Sul já perdeu o sentido. Neste início de milênio o mundo se divide entre os que estão conseguindo acompanhar a velocidade da globalização com reformas internas profundas, macro e microeconômicas, e os que estão comendo poeira, contemplando passivamente o sucesso de seus ex-companheiros subdesenvolvidos.



Aprenda o mais simples!

Para aqueles cuja hora chegou

Nunca é tarde demais!

Aprenda o ABC; não basta, mas

Aprenda! Não desanime!

Comece! É preciso saber tudo!

Você tem que assumir o comando!

Aprenda, homem no asilo!

Aprenda, homem na prisão!

Aprenda, mulher na cozinha!

Aprenda, ancião!

Você tem que assumir o comando!

Frequente a escola, você que não tem casa!

Adquira conhecimento, você que sente frio!

Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma.

Você tem que assumir o comando. Não se

envergonhe de perguntar, camarada!

Não se deixei convencer

Veja com seus olhos!

O que não sabe por conta própria

Não sabe.

Verifique a conta

É você que vai pagar.

Ponha o dedo sobre cada item

Pergunte: O que é isso?

Você tem que assumir o comando.

(Bertolt Brecht)

Thursday, September 21, 2006

Cultura Gratuita




DIVULGUE, POR FAVOR!


Imagine um lugar onde você pudesse ler gratuitamente todas as obras do Machado de Assis, obras como a "A Divina Comédia", ou ter acesso a historinhas infantis.


Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci, ou onde você pudesse escutar gratuitamente uma música em MP3 de alta qualidade.


Pois o Ministério da Educação disponibiliza tudo isso. Basta acessar o site: http://www.dominiopublico.gov.br/

Só de Literatura em língua portuguesa há 732 obras e estão pensando em findar o projeto por desuso, já que o nível de acesso é muito pequeno!


Por favor, repasse a todos os seus amigos, para que esta excelente iniciativa não pare e continue a crescer.

Saturday, September 09, 2006

Transparência


O site "Transparência Brasil" oferece um inventário sobre a vida política dos candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições 2006. Está na hora de amadurecermos politicamente e dedicarmos algum tempo na pesquisa sobre o histórico "daquele candidato" que nos parece adequado e merecedor da nossa confiança. No endereço <http://perfil.transparencia.org.br/> é permitida a consulta por nome, estado e partido em conjunto ou isoladamente, ou seja, uma ferramenta de "filtros" que revela informações sobre:

-Dados pessoais;

-Notícias publicadas na imprensa (relacionadas à corrupção ou não);

-
Bens declarados à J
ustiça Eleitoral;
-Relatório de Receitas e Despesas de campanha (2006);

-Atuação parlamentar;

-Financiadores de sua campanha eleitoral.


por Erich Vale

Saturday, September 02, 2006

Essa é para guardar... E distribuir ao máximo!

Eu sei... eu sei... a lista é grande, mas temos a oportunidade de reduzi-la!!!!

Enviado por Ricardo:
Essa é para guardar... E distribuir ao máximo!
EM QUEM NÃO VOTAR
Na versão original dessa lista você pode classificar por nome, cargo, partido e acusação.
(((Quem quiser a versão no formato Excel é só deixar o e-mail no campo comentários.)))
(((Agradeço ao amigo Ricardo que nos brindou com essa!!!)))

NOME CARGO PARTIDO ACUSAÇÃO OU CRIME A QUE RESPONDE

ABELARDO LUPION Deputado PFL-PR Sonegação Fiscal
ADEMIR PRATES Deputado PDT-MG Falsidade Ideológica
AELTON FREITAS Senador PL-MG Crime de Responsabilidade e Estelionato
AIRTON ROVEDA Deputado PPS-PR Peculato
ALBÉRICO FILHO Deputado PMDB-MA Apropriação Indébita
ALCESTE ALMEIDA Deputado PTB-RR Peculato e Formação de Quadrilha, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ALEX CANZIANI Deputado PTB-PR Peculato
ALMEIDA DE JESUS Deputado PL-CE Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ALMIR MOURA Deputado PFL-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
AMAURI GASQUES Deputado PL-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ANDRÉ ZACHAROW Deputado PMDB-PR Improbidade Administrativa
ANÍBAL GOMES Deputado PMDB-CE Improbidade Administrativa
ANTERO PAES DE BARROS Senador PSDB-MT Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha
ANTÔNIO CARLOS PANNUNZIO Deputado PSDB-SP Crime de Responsabilidade
ANTÔNIO JOAQUIM Deputado PSDB-MA Improbidade Administrativa
BENEDITO DE LIRA Deputado PP-AL Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
BENEDITO DIAS Deputado PP-AP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
BENJAMIN MARANHÃO Deputado PMDB-PB Crime Eleitoral
BISPO WANDERVAL Deputado PL-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
CABO JÚLIO (JÚLIO CÉSAR GOMES DOS SANTOS) Deputado PMDB-MG Crime Militar, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
CARLOS ALBERTO LERÉIA Deputado PSDB-GO Lesão Corporal
CELSO RUSSOMANNO Deputado PP-SP Crime Eleitoral, Peculato e Agressão
CHICO DA PRINCESA (FRANCISCO OCTÁVIO BECKERT) Deputado PL-PR Crime Eleitoral
CIRO NOGUEIRA Deputado PP-PI Crime Contra a Ordem Tributária e Prevaricação
CLEONÂNCIO FONSECA Deputado PP-SE Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
CLÓVIS FECURY Deputado PFL-MA Crime Contra a Ordem Tributária
CORIALANO SALES Deputado PFL-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
DARCÍSIO PERONDI Deputado PMDB-RS Improbidade Administrativa
DAVI ALCOLUMBRE Deputado PFL-AP Corrupção Ativa
DILCEU SPERAFICO Deputado PP-PR Apropriação Indébita
DOUTOR HELENO Deputado PSC-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
EDSON ANDRINO Deputado PMDB-SC Crime de Responsabilidade
EDUARDO AZEREDO Senador PSDB-MG Improbidade Administrativa
EDUARDO GOMES Deputado PSDB-TO Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
EDUARDO SEABRA Deputado PTB-AP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO Deputado PRONA-SP Falsidade Ideológica
EDIR DE OLIVEIRA Deputado PTB-RS Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
EDNA MACEDO Deputado PTB-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ELAINE COSTA Deputada PTB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ELISEU PADILHA Deputado PMDB-RS Corrupção Passiva
ENIVALDO RIBEIRO Deputado PP-PB Crime Contra a Ordem Tributária, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ÉRICO RIBEIRO Deputado PP-RS Crime Contra a Ordem Tributária e Apropriação Indébita
FERNANDO ESTIMA Deputado PPS-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
FERNANDO GONÇALVES Deputado PTB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
GARIBALDI ALVES Senador PMDB-RN Crime Eleitoral
GIACOBO (FERNANDO LUCIO GIACOBO) Deputado PL-PR Crime Contra a Ordem Tributária e Seqüestro
GONZAGA PATRIOTA Deputado PSDB-PE Apropriação Indébita
GUILHERME MENEZES Deputado PT-BA Improbidade Administrativa
INALDO LEITÃO Deputado PL-PB Crime Contra o Patrimônio, Declaração Falsa de Imposto de Renda
INOCÊNCIO DE OLIVEIRA Deputado PMDB-PE Crime de Escravidão
IRAPUAN TEIXEIRA Deputado PP-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
IRIS SIMÕES Deputado PTB-PR Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ITAMAR SERPA Deputado PSDB-RJ Crime Contra o Consumidor, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ISAÍAS SILVESTRE Deputado PSB-MG Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JACKSON BARRETO Deputado PTB-SE Peculato e Improbidade Administrativa
JADER BARBALHO Deputado PMDB-PA Improbidade Administrativa, Peculato, Crime Contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Dinheiro
JAIME MARTINS Deputado PL-MG Crime Eleitoral
JEFERSON CAMPOS Deputado PTB-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOÃO BATISTA Deputado PP-SP Falsidade Ideológica, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOÃO CALDAS Deputado PL-AL Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOÃO CORREIA Deputado PMDB-AC Declaração Falsa de Imposto de Renda, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOÃO HERRMANN NETO Deputado PDT-SP Apropriação Indébita
JOÃO MAGNO Deputado PT-MG Lavagem de Dinheiro
JOÃO MENDES DE JESUS Deputado PSB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOÃO PAULO CUNHA Deputado PT-SP Corrupção Passiva, Lavagem de Dinheiro e Peculato
JOÃO RIBEIRO Senador PL-TO Peculato e Crime de Escravidão
JORGE PINHEIRO Deputado PL-DF Crime Ambiental
JOSÉ DIVINO Deputado PRB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOSÉ JANENE Deputado PP-PR Estelionato, Improbidade Administrativa, Lavagem de Dinheiro, Corrupção Passiva, Formação de Quadrilha, Apropriação Indébita e Crime Eleitoral
JOSÉ LINHARES Deputado PP-CE Improbidade Administrativa
JOSÉ MENTOR Deputado PT-SP Corrupção Passiva
JOSÉ MILITÃO Deputado PTB-MG Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JOSÉ PRIANTE Deputado PMDB-PA Crime Contra o Sistema Financeiro
JOVAIR ARANTES Deputado PTB-GO Improbidade Administrativa
JOVINO CÂNDIDO Deputado PV-SP Improbidade Administrativa
JÚLIO CÉSAR Deputado PFL-PI Peculato, Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Falsidade Ideológica
JÚLIO LOPES Deputado PP-RJ Falsidade Ideológica
JÚNIOR BETÃO Deputado PL-AC Declaração Falsa de Imposto de Renda, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
JUVÊNCIO DA FONSECA Deputado PSDB-MS Improbidade Administrativa
LAURA CARNEIRO Deputada PFL-RJ Improbidade Administrativa e Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
LEONEL PAVAN Senador PSDB-SC Contratação de Serviços Públicos Sem Licitação e Concussão
LIDEU ARAÚJO Deputado PP-SP Crime Eleitoral
LINO ROSSI Deputado PP-MT Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
LÚCIA VÂNIA Senadora PSDB-GO Peculato
LUIZ ANTÔNIO FLEURY Deputado PTB-SP Improbidade Administrativa
LUPÉRCIO RAMOS Deputado PMDB-AM Crime de Aborto
MÃO SANTA Senador PMDB-PI Improbidade Administrativa
MARCELINO FRAGA Deputado PMDB-ES Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
MARCELO CRIVELA Senador PRB-RJ Crime Contra o Sistema Financeiro e Falsidade Ideológica
MARCELO TEIXEIRA Deputado PSDB-CE Sonegação Fiscal
MÁRCIO REINALDO MOREIRA Deputado PP-MG Crime Ambiental
MARCOS ABRAMO Deputado PP-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
MÁRIO NEGROMONTE Deputado PP-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
MAURÍCIO RABELO Deputado PL-TO Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
NÉLIO DIAS Deputado PP-RN Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
NELSON BORNIER Deputado PMDB-RJ Improbidade Administrativa
NEUTON LIMA Deputado PTB-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
NEY SUASSUNA Senador PMDB-PB Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
NILTON CAPIXABA Deputado PTB-RO Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
OSMÂNIO PEREIRA Deputado PTB-MG Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
OSVALDO REIS Deputado PMDB-TO Apropriação Indébita
PASTOR AMARILDO Deputado PSC-TO Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
PAULO AFONSO Deputado PMDB-SC Peculato, Crime Contra o Sistema Financeiro e Improbidade Administrativa
PAULO BALTAZAR Deputado PSB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
PAULO FEIJÓ Deputado PSDB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
PAULO JOSÉ GOUVEIA Deputado PL-RS Porte Ilegal de Arma
PAULO LIMA Deputado PMDB-SP Extorsão e Sonegação Fiscal
PAULO MAGALHÃES Deputado PFL-BA Lesão Corporal
PEDRO HENRY Deputado PP-MT Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Corrupção Passiva, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
PROFESSOR IRAPUAN Deputado PP-SP Crime Eleitoral
PROFESSOR LUIZINHO Deputado PT-SP Lavagem de Dinheiro
RAIMUNDO SANTOS Deputado PL-PA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
REGINALDO GERMANO Deputado PP-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
REINALDO BETÃO Deputado PL-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
REINALDO GRIPP Deputado PL-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
REMI TRINTA Deputado PL-MA Estelionato e Crime Ambiental
RIBAMAR ALVES Deputado PSB-MA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
RICARDO BARROS Deputado PP-PR Sonegação Fiscal
RICARTE DE FREITAS Deputado PTB-MT Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
RODOLFO TOURINHO Senador PFL-BA Gestão Fraudulenta de Instituição Financeira
ROMERO JUCÁ Senador PMDB-RR Improbidade Administrativa
ROMEU QUEIROZ Deputado PTB-MG Corrupção Ativa, Corrupção Passiva e Lavagem de Dinheiro
RONALDO DIMAS Deputado PSDB-TO Crime Eleitoral
SANDRO MABEL Deputado PL-GO Crime Contra a Ordem Tributária
SUELY CAMPOS Deputada PP-RR Crime Eleitoral
TATICO (JOSÉ FUSCALDI CESÍLIO) Deputado PTB-DF Crime Contra a Ordem Tributária, Declaração Falsa de Imposto de Renda e Sonegação Fiscal
TETÉ BEZERRA Deputado PMDB-MT Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
THELMA DE OLIVEIRA Deputada PSDB-MT Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha
VADÃO GOMES Deputado PP-SP Improbidade Administrativa e Crime Contra a Ordem Tributária
VALDIR RAUPP Senador PMDB-RO Peculato, Uso de Documento Falso, Crime Contra o Sistema Financeiro, Crime Eleitoral e Gestão Fraudulenta de Instituição Financeira
VALMIR AMARAL Senador PTB-DF Apropriação Indébita
VANDERLEI ASSIS Deputado PP-SP Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
VIEIRA REIS Deputado PRB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
VITTORIO MEDIOLI Deputado PV-MG Sonegação Fiscal
WANDERVAL SANTOS Deputada PL-SP Corrupção Passiva
WELLINGTON FAGUNDES Deputada PL-MT Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ZÉ GERARDO Deputado PMDB-CE Crime de Responsabilidade
ZELINDA NOVAES Deputada PFL-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
Ângela Guadagnin Deputada PT-SP Dançarina do Plenário da Câmara, comemorando absolvição de corrupto
Antônio Palocci Ex-Ministro PT-SP Quebra de Sigilo Bancário
Carlos Rodrigues Ex-Deputado PL-RJ Bispo Rodrigues
Delúbio Soares Tesoureiro PT-GO Ex Tesoureiro do PT
José Dirceu Ex-Deputado PT-SP Mensalão
José Genoíno Ex-Deputado PT-SP Mensalão, Dólares na Cueca
José Nobre Guimarães DeputadoEst. PT-CE Dólares na Cueca (Agora Candidato a Dep. Federal)
Josias Gomes Deputado PT-BA Mensalão, CPI dos Correios
Luiz Gushiken Ex-Ministro PT-SP CPI dos Correios
Paulo Salim Maluf Ex PPB-SP Corrupção, Falcatruas, Improbidade Administrativa, Desvio de Dinheiro Público, Lavagem de dinheiro
Paulo Pimenta Deputado PT-RS Compra de Votos, Mensalão, CPI Correios
Pedro Corrêa Ex-Deputado PP-PE Cassado em associação ao Escândalo do Mensalão, Compra de Votos
Roberto Brant Deputado PFL-MG Crime Eleitoral, Mensalão, CPI Correios
Roberto Jefferson Ex-Deputado PTB-RJ Mensalão
Severino Cavalcanti Ex-Deputado PP-PE Escândalo do Mensalinho (Renuncio para evitar a cassação)
Silvio Pereira SecretárioPT PT Mensalão
Valdemar Costa Neto Exc-Deputado PL-SP Mensalão (renunciou para evitar a cassação)

Wednesday, August 23, 2006

O recluso recusa prêmio

Perelman recusa prêmio.


Segundo nota divulgada hoje, Perelman recusou a Medalha Fields. O argumento segundo os principais jornais reside no tratamento dado a ele pelos intelectuais da área. Com fama de recluso o "homem" ficou mesmo em sua casa em São Petersburgo enquanto o Congresso da União Internacional de Matemática "corria solto" em Madri.

Medalha Fields 2006 (1)

Grigory Perelman adora os enigmas matemáticos mas não gosta de honras

O investigador russo terá resolvido a conjectura de Poincaré, um quebra-cabeças com mais de 100 anos. Isto poderá valer-lhe a medalha Fields, que será concedida amanhã em Madrid

Enquanto alguns correm atrás de honras e dos media para construirem uma imagem, ele amua-os e ignora-os. Soberbamente. Grigory Perelman, 40 anos, cabelos raros e barba crescida, os olhos no vazio sublinhados por espessas sobrancelhas, está algures. Num universo onde muito poucos abordam: a topologia.

Esse mundo o Matemático do Instituto Steklov de São Petersburgo, domina perfeitamente e seus trabalhos podem lhe valer de receber, amanhã, dia 22 de Agosto, em Madrid, na cerimónia de abertura do International Congress of Mathematicians, a medalha Fields. Uma espécie de prémio Nobel da Matemática concedida todos os quatro anos à um Matemático com menos de 40 anos - ele os fez no dia 16 de Junho.

Se Grigory Perelman aparece este ano como possível candidato, foi porque ele teve razão num enigma com mais de cem anos - a conjectura de Poincaré - sobre a qual gerações de Matemáticos se debruçaram. O desafio é tão grande que o Clay Mathematics Institute fez, no ano 2000, desta conjectura um dos "sete problemas do milénio". Cada um deles vale para aquele que os resolver uma bolsa de 1 milhão de dólares.

Única preocupação, Perelman não é um Matemático como os outros. Como os seus colegas, ele ama a disciplina, mas não se embaraça dos rituais que a regem. Enquanto outros apresentam os seus resultados inteiramenete finalizados, submetido ao julgamento dos seus pares e publicados em seguida em prestigiosas revistas, ele prefere publicar na Web algumas notas escritas no papel. E como ele costuma desaparecer sem prevenir porque ele prefere as florestas russas aos homens, os debates são pouco fecundos.

Em Novembro de 2002, ele escreve à um site da Cornell University (arXiv) algumas indicações deixando a entender que a conjectura de Poincaré não é mais um problema. Ele fornece só algumas pistas baseado nos trabalhos mais antigos de Robert Ricci e mais recentes de Richard Hamilton. Mas a sua prosa não é uma demonstração precisa. No entanto este primeiro correio tem o efeito de uma bomba.

Depois, no princípio de 2003, Grigory Perlman envia dois novos correios onde ele afirma explicitamente que ele tem a solução. Esses textos não têm, mais uma vez, mais precisões. O russo demonstra que ele tricotou bem um pull, mas ele não fez nem a gola nem as mandgas, deixando à outros esse trabalho. "Os seus artigos são difíceis de ler, testemunha um Matemático num fórum de debate na Net. Eles não têm provas de muitas afirmações. Perelman pertence à categoria de matemáticos que não têm tempo para escrever os detalhes. Um pouco como os artigos de Alain Connes [investigador francês que recebeu a medalha Fields em 1982], que continha muito poucos detalhes de cálculos e de coisas elementares.

Ele não reclamou ao Clay Mathematics Institute o milhão de dólares que deve recompensar o "vencedor" da conjectura. "Ele não quer saber", comenta um dos seus pares. Ele já rejeitou propostas das melhores universidades americanas - Stanford, Priceton - e recusou, em 1996, o Prémio do jovem Matemático concedido pela Sociedade matemática européia? De facto, "ele vem, explica as coisas, e tudo está dito, conta Michael Anderson, da Universidade de New York. Tudo o resto é supérfluo."

Será desprezo? Certamente que não. Grigory Perelman faz as coisas como ele entende, depois deixa à outros o cuidado de juntar as peças do seu puzzle, ou seja, de por no lugar aquelas que ele pensa serem triviais. Das suas notas na Net responderam centenas de páginas de equipas de Matemáticos americanos, espanhóis, franceses e asiáticos.

Resta que se o Matemático misantropo de São Petersburgo se torna, esta terça-feira, no ganhador da medalha Fields, existem poucas hipóteses que ele faça a honra desse prémio tão concorrido.

Elementar, meu caro Poincaré

Foi em 1904 que Henri Poincaré, um dos maiores Matemáticos de seu tempo, imaginou a conjectura que tem o seu nome. Sua formulação, inacessível ao comum dos mortais, se enuncia assim: "Consideremos uma variedade compacta V em 3 dimensões sem fronteira. É possível que o grupo fundamental V seja trivial mesmo V não sendo homeomorfo à uma esfera de dimensão 3?"

Elementar, não? E, como nota a enciclopédia online Wikipédia, "a questão é saber se toda 3-variedade fechada, simplesmente conexa e sem fronteiras é homeomorfa à uma esfera", o que esclarece de repente o assunto.

Mas fazendo uma trégua na brincadeira, isto não faz esquecer que a Matemática está em todo lugar. Nas nossas finanças, como nos nossos carros, na Física Quântica como na Biologia, nos jogos como nos aparelhos numéricos de fotos, etc.

Nota: Tradução de um extracto da notícia publicada no jornal "Le Monde" de Domingo 20 - Segunda-feira 21 de Agosto de 2006.

Retirado do BLOG "Desafios Matemáticos" - http://matematica.over-blog.com/
Recomenda...

Tuesday, August 22, 2006

"Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?"

por Felipe Peixoto Braga Netto

Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos, não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas palavras. Mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que apresentamos foi extraída do livro "As coisas simpáticas da vida", Landy Editora, São Paulo (SP) - 2005, pág. 82.

enviado por Augusto (RakeNZ.)


Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos - oh sina - para analisar,eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.
Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?
É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês?
Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.
Um simples" mas" é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um "mas" nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende... Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é...
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou?, dizem:
("ôndôtô?"). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço. Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá
boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada.
Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sôo (leia-se: sai dessa, é fria, etc).
O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:
- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.
Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no
entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "apaixonado
com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?".
Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos"
completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.
Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:
- Eu preciso de ir.
Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir". Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:
- Ah, mãe, eu preciso de ir?
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa.
O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:
- Ai, gente, que dó.
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.
Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".
Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é Muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?
Ouço a leitora chiar:
- Capaz...
Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "tá fácil que eu faça isso", com algumas toneladas de ironia. Gente, um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um "capaz..." como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "ô dó dôcê". Entendeu agora?
Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."?
Completo ele fica:
- Ah, nem...
O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é
nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta,
mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...
Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:
- Você quer que eu "dou" um exemplo...
Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação.
Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.
Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado.
Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.
Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:
- Ah, fui lá comprar umas coisas...
- Que' s coisa? - ela retrucará.
Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.
Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:
- Ele pôs a culpa "ni mim".
A conjugação dos verbos tem lá
seus mistérios, em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou:
"preocupa não, bobo!". E meus ouvidos. já acostumados às ingênuas
conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim. A fórmula mineira é sintética, e diz tudo.
Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e
simplesmente. Aqui se diz: "tchau pro cê", "tchau pro cês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra entendeu?
Deve haver, por certo, outras expressões... A minha memória (que não ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugestões. Como é uma pesquisa empírica, umas voluntárias ajudariam... Exigência: ser mineira. Conversando com lingüistas, fui informado: é prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha... Tudo.
Naturalmente, em nome da ciência. Bem, eu me explico: é que,
características à parte, as conformações físicas influem no timbre e som da voz, e eu não posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?"

''Minas não é palavra montanhosa.
É palavra abissal. Minas é dentro
E fundo”


Carlos Drummond de Andrade

Thursday, August 17, 2006

Nobel para SS?



Maior intelectual da Polônia sai em defesa de Guenter Grass

VARSÓVIA (Reuters) - O maior intelectual da Polônia, Adam Michnik, dissidente do Solidariedade, tornou-se voz isolada entre seus compatriotas ao defender o escritor alemão Guenter Grass, que admitiu ter integrado a Waffen SS na juventude.

Após a confissão de Grass, o partido governista polonês e o ex-presidente Lech Walesa pediram ao escritor que devolva o título de cidadão honorário da cidade de Gdansk, onde Grass nasceu e onde ele ambientou seu romance mais conhecido, "O Tambor".

"Durante anos, a Polônia não teve amigo mais confiável e altruísta na Alemanha do que Guenter Grass", escreveu Michnik, uma das vozes mais importantes da Polônia pós-comunista, em editorial do jornal diário Gazeta Wyborcza.

"Será que é tão difícil para nós, poloneses, compreendermos o drama da geração de jovens alemães enganados pela propaganda totalitária dos nazistas?", escreveu Michinik.

Em entrevista concedida no sábado ao jornal Frankfurter Allgemeine, Grass revelou que, aos 17 anos de idade, entrou para a SS, a tropa de elite nazista formada por voluntários, que exerceu papel chave no Holocausto.

Ao longo de sua carreira, o escritor, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1999, trabalhou para melhorar as relações entre Polônia e Alemanha.

Michnik disse que Walesa foi apressado ao pedir a Grass que devolva seu título de cidadão honorário de Gdansk.

Crônicas da Convergência

A Ordem dos Economistas do Brasil tem o prazer de convidar para o lançamento do livro Crônicas da Convergência - Ensaios sobre temas já não tão polêmicos de autoria do Econ. Gustavo H. B. Franco, no dia 23 de agosto - quarta-feira, das 19:00 às 22:00 horas.

LOCAL: Livraria da Vila (CASA DO SABER)

Rua Mário Ferraz 414, Itaim Bibi.

Confirmar presença: eventos@bmf.com.br

Monday, August 07, 2006

Só o tempo dirá mesmo! Agora um triste guia de cidades...

Publicado hoje no "The Economist Cities Guide" (repercussão internacional)

De novo!!! A violência continua...

SAO PAULO BRIEFING
August 2006


News this month

In July the war raging between São Paulo’s security forces and the Primeiro Comando da Capital (PCC), an organised-crime gang, claimed 11 lives, paralysed transport and shocked a public still recovering from the May attacks, which killed over 170. Five of the most recent victims were off-duty prison guards. Gilberto Kassab, the mayor of São Paulo, deployed plain-clothes policemen on buses in an attempt to deter arsonists, who have left some 70 buses in flames. The PCC has pledged to continue attacks, promising more violence on August 13th.

The PCC is protesting against conditions in prisons where its leaders are held. After one riot in Araraquara, 273km from São Paulo, 1,443 prisoners were moved to a small courtyard for a week pending repair work, a decision that provoked fierce criticism from human-rights groups. On July 14th the federal government announced a 100m-reais ($45m) injection into São Paulo’s beleaguered prison system. Cláudio Lembo, the state governor, welcomed the money but insisted it was not enough for the state’s overcrowded jails. Federal funding for prisons has dropped by 85% since 1981.

For background see: Violence in Brazil, May 17th 2006

Wednesday, July 26, 2006

A nova geração de softwares


Podemos abandonar (de acordo com a preferência de cada um) o Office?
Todos os arquivos de texto e planilhas podem ser gerados e armazenados na própria rede. O princípio é o mesmo do Gmail, ou seja, não é preciso "instalar" para utilizar os programas. Os editores de texto, planilhas e apresentações (substituindo também o Power Point) podem ser acessados via Internet. Qual a vantagem? Além da economia de espaço na máquina é possível acessar seus documentos de qualquer computador ligado a Internet a partir do sistema operacional de sua preferência! Quer mais? É de graça!
Na minha opinião se trata de um avanço na democratização da utilização de softwares como o Word e Excel. Além disso, o PC pode representar uma "prisão" para o usuário e é essa sua maior fraqueza. Os desenvolvedores quando pensaram em oferecer programas e utilitários facilmente acessíveis de qualquer PC, permitiram um considerável avanço no combate à "ditadura" Office/Windows. Conhecidos como softwares virtuais, esses "programas" oferecem também um recurso seguro para o bom e velho "Backup".
Vale dizer que a nova tecnologia ( chamada AJAX - sigla para asynchronous JavaScript and XML) permite que os códigos do software sejam carregados em seu browser, produzindo "o efeito" de se estar usando este programa instalado no PC, sem demora, sem erros e sem novas consultas a servidores.


Alguém disse que a concorrência não é boa?


Os links para acessar:

Editor de texto:
www.writeboard.com

Gerenciador de planilhas:

www.numsum.com
www.irows.com

Erich Vale

Monday, July 17, 2006

economist.com

"Não podemos viver sem modelos econômicos grandes e ambiciosos. Mas nenhum de nós pode confiar inteiramente neles." Este é o artigo especial publicado no períódico the economist, 13 de julho, sobre o título: "Grandes Questões e Grandes Numeros".
Um resumo interessante do que se passa na cabeça dos formuladores de política econômica, acadêmicos e políticos quando o assunto é economia. Também um pouco das historinhas contadas nos bancos das escolas.

http://www.economist.com/business/displaystory.cfm?story_id=7159491
Special Report
Economic models - Jul 13th 2006
From The Economist print edition

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Thursday, July 13, 2006


“A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus.” (Platão)

Calculadora do Imposto


Quanto você paga de imposto? Acesse o link (ao lado) e descubra. Entre na luta pela transparência tributária.

Monday, July 10, 2006

"Parreira Burro" tem 13 letras...

Quotas Raciais, por que?


O outro lado das políticas de quotas raciais

Quarta-feira, 5 de Julho de 2006
por Claudio Shikida

Rosa Parks, falecida ano passado, era pouco conhecida no Brasil. Não me recordo de haver estudado bem a história dos EUA, uma ex-colônia como o Brasil, em minha estadia no ensino pré-universitário. Só fiquei sabendo de sua importância ao ler um pequeno texto de Thomas Sowell. Afinal, quem foi Rosa Parks?

Em 01 de Dezembro de 1955, nos EUA, Rosa Parks encontrava-se sentada em um ônibus do transporte público, quando o motorista exigiu que ela se levantasse para ceder o lugar a um passageiro branco. Ela se recusou e seu gesto foi um símbolo do início da reação norte-americana contra o racismo que existia, principalmente, no sul do país. Sowell nos lembra que transporte público era coisa recente no país, uma invenção do governo no final do século XIX. Mais ainda, na mesma época, os negros perderam seu direito ao voto:

Between 1890 and 1910, many state governments prevented most blacks from voting by various techniques, such as poll taxes and literacy tests. (These could be waived for whites due to grandfather
clauses
. It is estimated that of 181,000 African-American males of voting age in Alabama in 1900, only 3,000 were registered to vote. http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Crow_law

Apesar da ação governamental racista, muitos donos de empresas de transporte protestaram contra a segregação nos ônibus. Lembra-nos Sowell que não havia apenas motivos altruístas para este empenho, mas sim o desejo de obter lucros. Como disse Adam Smith, a prosperidade social é gerada de forma eficiente
pelo desejo de lucro.

Isto não quer dizer que o setor privado seja sempre marcado pela presença de pessoas não-racistas. E nem que o setor público seja ocupado apenas por tais pessoas. O ponto importante é que a discriminação racial, se levada ao mercado político, causa danos maiores à sociedade do que se permanece apenas nas preferências individuais dos racistas. Por que? Porque o racismo, no setor privado, pode gerar menores lucros: deixo de empregar pessoas negras porque sou racista, independente de sua produtividade. Já se a discriminação é feita lei, toda a sociedade deve se conformar a ela, o que potencialmente gera mais conflito e violência. No Brasil, a história mostra que a intervenção do Estado na vida das pessoas não foi diferente: o tráfico de escravos foi aprovado e abençoado pelo governo imperial durante anos. Note bem, não é que a escravidão não possa ser lucrativa ou mesmo melhorar as condições materiais dos escravos, o argumento é que uma lei discriminatória impõe a discriminação independente das condições materiais da sociedade o que, independente de qualquer outra coisa, é moralmente repugnante (para um liberal, claro).

Em anos recentes, diversas universidades ou faculdades privadas surgiram no Brasil, o que certamente melhorou o acesso de brancos e não-brancos ao ensino superior. Muitas pessoas contestam a qualidade do ensino destas faculdades esquecendo-se de que: (i) nem todo curso de uma universidade pública tem a mesma qualidade, seja comparando-se apenas as universidades públicas ou incluindo-se as privadas na amostra; (ii) muitos que fazem esta crítica estão em ONGs cuja qualidade dos serviços, quando questionada, gera protestos violentos, exceto quando o problema toma proporções criminosas.

Alguns, como João P. Stédile, não parecem estar preocupados com a dicotomia “negros-brancos”. Em declaração à imprensa, defendendo o repasse de verbas para movimentos como o seu e o MLST, disse: “O Estado brasileiro está financiando a burguesia. Então o que temos de debater não é o ‘conveninho’, é um novo projeto para o Brasil” [O Estado de São Paulo, 10.06.2006, p.A-4].
Imagino que a burguesia, em sua visão, é um conceito claramente definido. Logo, se ele apóia políticas públicas de ação afirmativa ao mesmo tempo em que combate a burguesia, provavelmente imagina que negros sejam apenas pobres o que discrimina tanto negros ricos como brancos pobres. Alguém concorda com isto?

A importação brasileira da tecnologia norte-americana de se fazer políticas de ação afirmativa também me faz pensar em um problema diferente, o da falta de consideração pelos indivíduos. Não se quer uma Rosa Parks. Não se deseja um Martin Luther King. A inexistência de indivíduos que se destacam na sociedade é um símbolo da forma não-liberal como boa parte da sociedade encara qualquer problema. Ninguém deseja arcar com a responsabilidade individual de seus atos e, portanto, ninguém deve fazê-lo. “Nada de Luther King! Nada de Parks! O que precisamos”, dizem estas pessoas, “é de uma política social implementada por… movimentos sociais, pelo… Estado, em prol dos…. negros”. Por que tanta ênfase no “plural” e no “coletivo”?

Se esta visão “coletivista” que fala de “burguesia” - ou de qualquer outra entidade que não possa existir individualmente - fosse tão útil, as pessoas jamais poderiam ligar a televisão e admirar a habilidade de Ronaldinho (Gaúcho), mas apenas a “da seleção”. Aliás, no futebol não existe política de ação afirmativa. Existe, sim, a constatação de que pessoas saudáveis podem desenvolver ao máximo seu potencial esportivo. Quer diminuir a discriminação na sociedade? Combata a pobreza. Talvez o segredo esteja aí: existem formas de competição institucional úteis para diminuir a discriminação. Veja-se o caso da política de vouchers. Por que não se pode tentar algo similar no Brasil? Porque aqui não é os EUA? Se este é o argumento, então devemos banir as políticas de ação afirmativa. Ah, não é? Então que tal discutir melhor as opções?


Quotas Raciais, por que?



As quotas representam a afirmação do racismo e a aceitação da existência de diferentes raças por força de lei. Inegável o argumento acima...(?!)

A implementação de ações que buscam aumentar o capital social dos negros pode despontar como uma alternativa. Sempre vi com bons olhos os movimentos das minorias, desde que articulados "convenientemente" de forma a aumentar seu "espaço" dentro da sociedade segundo seus hábitos e costumes.

O fortalecimento das relações entre pessoas pode revelar benefícios, inclusive tangíveis, sem o uso de ações que envolvam assumir individualmente a "responsabilidade pelos seus atos" como bem afirma o Prof. Shikida. Acontece que os meios para a formação de redes, capazes de criar esse capital social, devem partir das próprias minorias interessadas (a la Bourdieu,

Coleman e Putnam).


por Erich Vale

Sunday, July 09, 2006

"O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é." [Millor]

Saturday, July 08, 2006

Acabou de sair do Forno

Lançado pela ed. Contra Capa, "Mercado de Capitais e Dívida Pública, tributação, indexação e alongamento" chegou em boa hora. Organizado por Edmar Bacha e Luiz Chrysostomo de O.Filho, o livro trata de maneira relativamente simples o tema. Em ano de eleições é melhor ficar atento aos discursos dos candidatos. Vale a pena!

Friday, July 07, 2006